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Fluxo de caixa de reforma: como montar e explicar ao cliente

O cliente não pergunta quanto a obra custa; pergunta quanto sai este mês. O fluxo de caixa é a resposta. Como distribuir o orçamento no tempo, o que combinar antes de começar, e como acompanhar sem planilha paralela.

Guia do Tijolim · atualizado em 06/10/2026

O orçamento diz o tamanho da obra. O fluxo de caixa diz o ritmo: quanto o cliente precisa ter disponível em cada mês. Para uma reforma de seis meses, os dois números podem ser parecidos no total e muito diferentes na vida real, porque a obra não gasta em linha reta.

Por que o gasto não é em linha reta

Cada item tem a própria forma de pagamento, e elas se somam de um jeito desigual:

  • Construtora: sinal na assinatura e medições quinzenais, concentradas nos primeiros meses, quando a demolição e a parte civil acontecem.
  • Marcenaria: sinal grande (30 a 40%) no início, para o projeto executivo e a compra de chapa, e o resto na entrega, meses depois.
  • Revestimentos, louças e metais: à vista, no mês da compra, que costuma ser o segundo ou o terceiro.
  • Iluminação e mobiliário: no fim, perto da entrega.
  • Assessoria do escritório: mensal, constante.

O resultado típico é um segundo mês pesado (sinal da marcenaria + medições + revestimentos) e um fim de obra que volta a subir com mobiliário e iluminação. Se o cliente não sabe disso antes, o segundo mês vira susto.

Um exemplo completo

A obra de exemplo do Tijolim é um apartamento fictício de 182 m² em Curitiba, com orçamento de R$ 443.800 em nove itens. Distribuído pelas formas de pagamento acima, o desembolso previsto fica assim:

MêsPrevistoAcumulado
Mês 1R$ 60.000R$ 60.000
Mês 2R$ 112.000R$ 172.000
Mês 3R$ 74.000R$ 246.000
Mês 4R$ 68.000R$ 314.000
Mês 5R$ 59.000R$ 373.000
Mês 6R$ 61.300R$ 434.300
TotalR$ 434.300

O segundo mês carrega um quarto da obra. É esse número que o cliente precisa ouvir na reunião de aprovação, não no boleto.

Painel de uma obra no Tijolim: orçamento total, total pago, saldo a pagar, a parede de tijolos que sobe com os pagamentos, o gráfico de fluxo de caixa mês a mês e o orçamento por categoria
A mesma obra fictícia no Tijolim: o fluxo previsto mês a mês, ao lado do que já foi pago.

O que combinar com o cliente antes de começar

Previsão é previsão

Os meses do fluxo são a melhor estimativa no dia da aprovação. A marcenaria atrasa a entrega e o pagamento final escorrega um mês; a construtora adianta uma etapa e a medição vem antes. Combine que o fluxo será revisto a cada relatório de visita, e revise.

Aditivo entra no fluxo, não some nele

Quando um item sai mais caro ou um serviço novo aparece, o acréscimo entra como aditivo, com o valor inicial preservado, e o fluxo do mês correspondente sobe. O cliente vê de onde veio a diferença. Um fluxo que só mostra o total novo esconde a conversa que precisava acontecer.

Pago é o que saiu, não o que foi medido

No acompanhamento, o que se compara com o previsto é o pagamento feito, com data. Medição da construtora é marco de faturamento; vira “pago” quando o dinheiro sai. Misturar os dois faz a obra parecer adiantada no caixa.

Como acompanhar sem planilha paralela

O jeito tradicional é uma aba de fluxo na planilha de orçamento, atualizada à mão a cada pagamento, e uma versão em PDF mandada ao cliente de tempos em tempos. Funciona até o terceiro mês, quando a versão do cliente e a sua já são duas obras diferentes.

No Tijolim, o fluxo previsto vem junto com a importação da planilha de orçamento (os meses da planilha viram o gráfico), e cada pagamento lançado, por você ou pelo próprio cliente, atualiza o pago do mês. Os dois veem a mesma tela. A primeira obra é grátis, e a página inicial mostra o caminho.